Caracas, 23 de Outubro de 2002 - Diretor da CAF diz que
ligação é essencial à integração
da América do Sul. A saída do Brasil para o Oceano
Pacífico deverá estar assegurada em cinco a sete
anos, diz o vice-presidente de Infra-Estrutura da Corporación
Andina de Fomento (CAF), Antonio Juan Sosa. O eixo inter-oceânico
- corredor Puerto-Suárez-Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia
- com US$ 350 milhões em projetos, interconectará
também, além do Brasil e da Bolívia, o Paraguai,
o Peru e o Chile. Sosa informou que as três instituições
envolvidas no financiamento de projetos de infra-estrutura da
América do Sul (IIRSA) - Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), CAF e Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia
do Prata (Fonplata) - já começaram os estudos de
competitividade dos produtos que poderão ser escoados para
o Pacífico.
Nos próximos cinco anos, 140 projetos custarão
US$ 23 bilhões. A CAF já aprovou o financiamento
de nove, e desde junho deste ano aportou US$ 517 milhões.
Um projeto em Rondônia, por exemplo, para a integração
com a Bolívia e o Peru, terá US$ 50 milhões
da CAF, que exige dos governos a contrapartida de 60% a 70%.
No eixo inter-oceânico são nove os projetos aprovados.
No eixo andino, 24, no eixo Mercosul-Chile, 39. "Há
mais de 60 projetos relacionados com a Iniciativa para a Integração
da Infra-Estrutura Regional da América do Sul (IIRSA),
dos quais 40 na área de transporte e 10 em energia",
diz Sosa.
O papel de cada um
Além dos eixos, existem projetos setoriais - passagens
de fronteiras, transporte aéreo, intermodal e marítimo,
mercados energéticos regionais, telecomunicações
e internet. A IIRSA é fruto da primeira reunião
dos presidentes sul-americanos em Brasília, nos dias 31
de agosto e 1° de setembro de 2000. Eles encarregaram o BID,
a CAF e o Fonplata da coordenação operacional da
iniciativa. A prioridade que os projetos de infra-estrutura têm
agora se deve à constatação de que a América
do Sul está perdendo terreno no mercado internacional para
outras regiões do mundo, mais bem servidas por redes de
transporte e de interligação viária.
Continente desconectado
"O território sul-americano é desconectado
fisicamente, o que torna mais complexo o intercâmbio de
mercadorias entre os países. Na União Européia
e no Acordo de Livre Comércio da América do Norte
(Nafta), 60% das trocas são intra-regionais; na América
do Sul, apenas 20%, isso nos anos de pico do comércio",
exemplifica Sosa. A região possui um território
de difícil articulação por causa da Cordilheira
dos Andes, da selva amazônica, de zonas pantanosas, rios
caudalosos e populações na periferia do continente.